segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

 "Prometi a mim mesmo que nunca mais seria emocionalmente dependente de alguém, falhei. Não que eu considere tal fato ruim, é que aconteceu novamente: mais uma vez estou inconseqüente, mais uma vez dimensiono minhas decisões em função do meu amor, mais uma vez me entrego de certa forma que voltar não seria uma decisão possível, mais uma vez tenho medo. Eu estou por inteiro travestido de medo, medo de não tomar as decisões certas; medo de sofrer mais uma vez. Dar-te-ei todo meu amor, amarei irrevogavelmente, mas não sei se o medo de deixar de ser amado me abandonará. Quanto medo! Mas é delicioso. Não irei abrir mão dele. Oh, Céus! Rogo por proteção! Aqui vamos nós, pois eu te amo, e só disso não tenho medo."  (Escrito há mais ou menos um ano)

O verbete dessa vez no dicionário pessoal é anacrônico. Perdoe-me a pequena deturpação do significado da palavra, pois foi inteiramente intencional. Não se trata de um erro de épocas, mas um momento atravessou o outro e hoje sou isso: o intervalo entre dois tempos.
Estava organizando certos cacarecos; sim, sou esse: cheio de livros, CDs, DVDs, arquivos de musica/video/foto/filme/show, objetos de todas as formas e naturezas, resmas de papeis com ideias escritas, dentre outros souvenirs.
Obviamente, vez ou outra chega a hora de dar uma organizada nessa budega; e lá estava eu aventurando-me em meu quarto por aqueles pedaços de mim espalhados por todos os lados, quando encontrei uma antiga foto e um texto escrito à mão. Não havia esquecido aquele texto, ele estava guardado no fundo da minha memória. Lembro quando o escrevi; era abril de 2010, um dia após meu aniversário. Acho que o texto fala por si só, eu estava despencando de cabeça no amor, novamente.
É excepcionalmente curioso perceber o quanto me conheço, eu já sabia de todos os medos que enfrentaria e até todos os erros que poderia cometer. Hoje, ainda agora, encontrei-me em um balanceamento de tudo que aconteceu posteriormente a esse texto.
Sim, eu fui isso: eu senti medo, eu amei, irrevogavelmente. E foi delicioso!
No entanto, o amor daquela época vendou meus olhos e eu não pude perceber um elemento essencial: aquele não era eu apaixonado por alguém, aquele era o que sempre fui, o que sou. Hoje consigo compreender exatamente o que tudo isso significa, eu sou tudo isso: eu sou intensidade, eu sou paixão, eu sou dedicação, eu sou carne, eu sou um homem bomba. Como na música: eu seguraria uma granada por alguém ou algo que amo.
Esse sou eu, sozinho ou acompanhado. Estarei pelo mundo existindo dessa maneira, cativando outras pessoas dessa maneira. Apaixonado pelo que sou e por tudo que me apetece.
Attraversiamo. Palavra italiana que significa: vamos atravessar! Ficou famosa com o livro Eat, Pray, Love de Elizabeth Gilbert. Pois bem, estou atravessando.
Sabe o que eu quero do outro lado? Mais de tudo isso!

4 comentários:

Luís Pedro disse...

É isso mesmo, te conheci assim e me orgulho de um amigo que é essa intensidade toda, que age com o coração de uma maneira mais racional do que seria se agisse só com a razão. E pra fechar: não muda uma sequer linha do que é essa definição de ti mesmo.

Lucas Jansen disse...

É muita intensidade para um rapazinho só, não que isso seja ruim, mas em momentos pode machucar. Porém, percebo que não é seu caso, pois sabes lidar muito bem com ela... Zezinho (rs), tu não és menos do que extraordinário! Abração

Rodolfo Maia disse...

Adorei esta parte:"
eu sou intensidade, eu sou paixão, eu sou dedicação, eu sou carne, eu sou um homem bomba. Como na música: eu seguraria uma granada por alguém ou algo que amo."

Bacanérrimo, sem palavras.

Luciano Frossard disse...

Uma tradução de sentimentos. É isso o que são os seus textos. Fascinante!

 

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